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Que o tempo passe, vendo-me ficar no lugar em que estou, sentindo a vida nascer em mim, sempre desconhecida de mim, que a procurei sem a encontrar.
Passem rios, estrêlas, que o passar é ficar sempre, mesmo se é esquecida a dor de ao vento vê-los na descida para a morte sem fim que os quer tragar.
Que eu mesmo, sendo humano, também passe mas que não morra nunca êste momento em que eu me fiz de amor e de ventura.
Fêz-me a vida talvez para que amasse e eu a fiz, entre o sonho e o pensamento, trazendo a aurora para a noite escura.
Lêdo Ivo - in Uma lira dos vinte anos
____________________________ Enviado por Amélia Pais
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